Tudo começou com uma brincadeira, ontem fizemos uma actuação no CAEP. Pois é, tudo se constrói quando se quer muito. E construiu-se. Construiu-se um grupo de teatro amador, cheio de vitalidade e energia, coragem e determinação, carisma e vontade; um grupo que enfrenta diariamente os problemas nele existentes, um grupo que, fundamentalmente, não desiste!
Já vivi muito com este grupo: já ri e chorei "baba e ranho", já passei férias junto deles, já criei histórias com eles, já me zanguei, já me cansei, já gritei, já relaxei, já andei de olhos fechados, já experimentei mil e uma fatiotas, já dancei, já escrevi e descrevi, já maquilhei e já ajudei a vestir, já participei, já li, já imitei, já falei, já desabafei, já fui psicóloga, já festejei, já tive aquele nervoso miudinho antes de entrar em palco, já interpretei e fui aplaudida. Já fiz éne coisas com eles e para eles, que não me arrependo nada de as ter feito, pois contribuíram para aquilo que sou hoje. Se deixava de fazer alguma coisa? Não, nunca. Se voltaria atrás e não teria embarcado nesta aventura? Não, de modo nenhum.
Comecei a afeiçoar-me, de um tal modo, que criei laços de amizade e de amor. Conheci e descobri gente espectacular, cada um com o sei feitio, especiais às suas maneiras, mas muito importantes para a minha realização pessoal. Depois vieram as brigam, umas dentro do próprio grupo e outras arrastadas, como que pelo vento, do exterior para o interior do grupo. Neste momento gostaria de me reconciliar com certas pessoas, pois num grupo a estabilidade de uns é o factor principal para a estabilidade de todos; ou seja, se dois estiverem bem, os restantes também estarão. Sinto, eu e não só, que há grupos dentro do grupo. Sinto que isso afecta. Sinto-me mal graças a essa situação, e não é dizer por dizer, sinto-me mesmo mal. Em Setembro a minha vida vai mudar, e não sei se continuarei no grupo. Talvez terei de abandoná-lo para sempre. E aí, vai haver saudade. Uma saudade de quem viveu os melhores anos da sua vida com pessoas muito especiais. Mas a vida é mesmo assim, nem sempre podemos criá-la e modificá-la à nossa maneira. Tenho pena, e sim, vou chorar bastante. Eram já parte da minha família.
Enquanto isso acontece e não acontece, acho que se tem de aproveitar ao máximo. Mas não é com metade do grupo junto a mim e a outra metade afastada de mim que isso vai acontecer. Vou empenhar-me, conseguir trazer de volta os bons momentos, os momentos da Família Espalharte! Porque como diz aquela música "A vida não vai parar, vai como o vento, tens tudo a dar, não percas tempo", a vida não pára e não há tempo para pensar duas vezes entre o aproveitar e o abandonar.
A todos, um muito OBRIGADA!