Inicío o ano com uma leve crónica sobre relacionamentos. O tempo tem-me sido escasso e isso impossibilita-me de vir aqui escrever, como tanto gosto. O tema é forte e esta ausência tem feito com que eu me inspire.
Nós, os humanos - ou melhor dizendo, os seres que se apaixonam - somos de extremos. Um dia queremos tudo, no outro dia não queremos nada. Um dia gostamos, no outro já nem podemos ver alguém à frente. Um dia rimos, no outro só nos apetece chorar. É mesmo assim, nada nos convence, nem o tudo, nem o nada, porque talvez não saibamos o que realmente queremos ou o outro alguém não saiba bem o que deseja. Podemos pensar que apareceu o tal, ele mostrar-se digno de o ser, fazermos mil coisas juntos, falarmos como dois cegos pelo amor, e puuuuuffff! No dia seguinte tudo mudou: acabaram as mensagens de bom dia, as alcunhas de bebé ou xuxu, os momentos juntos, as partilhas, tudo, tudo, tudo. Incrível? Eu diria, real. Porque quando pensamos que atingimos o auge, olhamos à volta e afinal estamos no mesmo sítio, no fundo. Nós nem saímos do chão, como seria possível termos chegado ao topo? A ilusão pertence ao amor como a torre Eiffel pertence a Paris e ninguém nunca a poderá arrancar de lá. Tal como se um dia uma pessoa chegar ao pé de mim e tentar afirmar que nunca viveu uma ilusão amorosa - o que é completamente impossível minha gente. Mas é isso que torna o amor especial, a dificuldade que existe até chegarmos ao cume, ao seu grande estado de harmonia e felicidade. Por cada derrota, somam-se pontos. No fim juntam-se os pontos e elegem-se os vencedores. Sim, ninguém sairá vencido. Um dia ainda vamos chegar ao cimo, ao ponto mais alto do amor, com alguém que nunca pensaríamos (ou talvez até pensássemos), com o "tudo" e sem o "nada".
Porque se fosse fácil, não metia piada.