Diz-se muitas vezes, após a passagem de um ano para o outro, que "este é o ano!" No meu caso, embora já tenha tido anos agradáveis, não gosto de colocar a fasquia demasiado elevada.
Para mim este
não foi o ano.
Perdi o meu avô. Como 4 palavras conseguem destruir por completo? Esta é a prova. Foi bastante inesperado, não estava preparada. Nunca ninguém está preparado para perder de vez alguém - agora sim acredito o verdadeiro significado desta frase. Sente-se um vazio tão grande, algo inexplicável. Perde-se o chão. Por muito apoio que tive, mensagens que recebi, palavras que me foram chegando, não adiantou de nada. A pessoa já não volta, por muito que queiramos voltar um pouco atrás e retroceder, como nas antigas cassetes de vídeo, onde apenas bastava enrolar-se a fita e voltava ao início. Recebi muitas mensagens de texto, tantas, mas não conseguia ler com a cabeça. Lia apenas com os olhos, sem raciocinar. Passados alguns dias é que voltei a reler tudo, e só aí fiquei a perceber o que algumas pessoas me quiseram dizer. Chorei bastante. Não consegui controlar certos momentos. E depois, o facto de frequentar certos lugares e pensar "mas falta aqui alguém!", ficar apática e melancólica ao pensar em momentos, conversas, gestos... Ainda hoje me faz impressão não ter o meu avô aqui. Mas sei bem que ele está mais presente que nunca, e que olha por mim, por nós que somos a sua família. Diz-nos, com toda a certeza o melhor que haveremos de fazer em certas e determinadas questões, afinal, ele vê bem melhor que nós o que acontece aqui.
Antes desta perda eu era incapaz de escrever algo como escrevi. Só conseguimos falar quando passamos por lá, e é verdade...
No fundo eu sei que estás aqui, a sorrir só como tu sorrias para mim enquanto eu falava do que aprendia na escola, na faculdade... Não são precisas muitas descrições, o que fica por dizer será bem mais eterno e sincero.
Não é porque o céu está nublado que as estrelas desapareceram.