sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Encontrões

Dialogando...

1: Mas mete conversa...

2: É melhor não, aquilo pode até nem significar nada para ele.

1: E é assim que nós andamos cada um para seu lado com vontade um do outro, porque hoje em dia as pessoas já não se encontram, elas andam aos encontrões...

Pois é. Hoje em dia as pessoas parece que têm medo umas das outras. E quanto mais se amam, mais fogem. Se o amor é o que aproxima as pessoas, o que as torna mais alegres, o que as motiva, o que as deixa sem palavras e com borboletas no estômago... Para quê complicar? Se um não quer, dois não dançam, não é? Mas se um quer e o outro dá indícios que também quer, é porque ambos se querem. Ok Madalena, nem sempre é assim, estás a ser demasiado facilitadora. Nem sempre é assim tão fácil, de facto. Existem as distâncias. Oh... As difíceis distâncias. Hoje em dia é menos complicado, mas ainda assim, continua a ser exigente ter uma relação à distância. E é aí que muitos recuam e desistem do sonho de uma vida a dois. São as exigências que destroem a barreira da distância que muitos nem chegam a a querer destruir, nem tentam. E depois? Depois perdem-se amores, como uma criança perde lápis de cor ao fim de um ano lectivo; perde-se a esperança, como quem perde um autocarro logo pela manhã; e no fim, só se recebe uma coisa, a mágoa de não ter a pessoa que mais se deseja ao lado.

Que a ferramenta do amor e da felicidade possua o poder e a força para destruir a barreira dos quilómetros e milhas, para que possa haver mais encontros e menos encontrões.


Madalena Rabaça.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

A persistência da fama


  fa·ma 
substantivo feminino

1. Apreciação favorável em que o público tem o talentohabilidade ou saber de alguém.
2. Reputaçãoglórianotícia.


 in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa




Vamos começar dentro de 1 minuto!
Cabelos? Maquilhagem? 
O guarda-roupa aqui, já!
Câmara 2 pronta?
Atenção a todos, silêncio no estúdio!
Telemóveis desligados!
Inês, preciso do guião! Rui chama-me a personagem principal!
Prontos?
Cena 2239, rua movimentada.
ACÇÃO!


E tudo pode começar desta maneira... E o tempo que dura? Até podem ser apenas 3 singelos minutos de um anúncio publicitário natalício. O que é certo é que a noção de fama perdurará para a pessoa que acabou de realizar o mesmo anúncio; sentir-se-á famosa para o resto da vida. Realização pessoal, neste caso. Mas nem sempre a fama se fica por 3 minutos. Depois pode passar a 10, a 30, a 45, a 60 minutos.E quando já não há minutos suficientes, passa-se para as capas de revista, colunas de jornais, e até mesmo redes sociais! 

É a fama. A fama nua e crua. A fama que se prolifera por todos os locais. A fama que indicará quem é aquela pessoa, no meio de mil (quase) todas iguais; a fama mostrará quem é diferente. No entanto, a pessoa que ficará famosa é feita da mesma massa que todas as pessoas que, ou a detestam porque é vilã na novela top audiências, ou a veneram por ser a que canta melhor no programa de talentos.Tudo isto é uma questão de gostos, perspectivas, ideais...

Mas e quando o pano se fecha? Quando um concorrente de um reality show desaparece durante 1 ou 2 meses pode ser o fim anunciado: no 3º mês já ninguém o conhece ou mal se lembra dele! Se reaparece, por magia, após 2 anos e meio, já ninguém sequer sabia que esse concorrente tinha participado no concurso e são poucos os que se lembram das cenas em que se viu o próprio enrolado debaixo dos edredons com a concorrente mais feia da casa. Todos estes participantes não passam de meras figuras públicas que estão na ribalta durante um certo período de tempo, e depois... Puffff! Desaparecem do mapa.

Um dia em conversa com um dos meus melhores amigos, rapaz que conheci no secundário e ainda hoje me acompanha, falou-se na fama. E o próprio, que por sinal tem bastante contacto com esse mundo, diz-me "a persistência da fama que no fundo não é persistência nenhuma" (não me consigo recordar bem das palavras certas, mas foi dentro desta ideia). Marcou-me bastante o facto de ser ele a dizer isto! Caramba, do dia para a noite pode obter-se o share total e o inverso!

O que me preocupa nesta conversa toda é o facto de bons profissionais da televisão (e outros meios) expostos a demasiada atenção do público não conseguirem controlar-se e fazerem com que se apague, de vez, a luz da ribalta. Muitos acabam por destruir uma vida com futuro, muito provavelmente por não serem capaz de lidar com doenças do foro psicológico associadas a toda uma vida atribulada entre autógrafos e fotografias.

Porque no fundo somos todos humanos, todos temos uma casa ou um lugar onde possamos viver, família ou amigos que nos suportam em todos os momentos, gostos por A ou B, vontades muitas vezes incalculáveis. Eles, os do outro lado da caixa mágica, também pertencem ao nosso grupo. A vida não é só share...


Madalena Rabaça
 (vou começar a assinar, coisa que não fazia, mas acho por bem fazê-lo)

domingo, 14 de dezembro de 2014

Apaixonadisses




"Sinto-me completamente atraído por ti, acho que qualquer pessoa nota, por mim contava tudo, estava disposto a levar com toda a gente. 
Mas tenho consciência das consequências, prefiro ter-te assim de maneira "privada" do que me obrigarem a não te ver. 
Não sei como te vou ver e não te poder tocar, não te beijar e agarrar, não te mimar. 
Estou a explodir completamente de amores por ti."

Autor anónimo e verdadeiro

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Estrela que brilha

Diz-se muitas vezes, após a passagem de um ano para o outro, que "este é o ano!" No meu caso, embora já tenha tido anos agradáveis, não gosto de colocar a fasquia demasiado elevada.
Para mim este não foi o ano.

Perdi o meu avô. Como 4 palavras conseguem destruir por completo? Esta é a prova. Foi bastante inesperado, não estava preparada. Nunca ninguém está preparado para perder de vez alguém - agora sim acredito o verdadeiro significado desta frase. Sente-se um vazio tão grande, algo inexplicável. Perde-se o chão. Por muito apoio que tive, mensagens que recebi, palavras que me foram chegando, não adiantou de nada. A pessoa já não volta, por muito que queiramos voltar um pouco atrás e retroceder, como nas antigas cassetes de vídeo, onde apenas bastava enrolar-se a fita e voltava ao início. Recebi muitas mensagens de texto, tantas, mas não conseguia ler com a cabeça. Lia apenas com os olhos, sem raciocinar. Passados alguns dias é que voltei a reler tudo, e só aí fiquei a perceber o que algumas pessoas me quiseram dizer. Chorei bastante. Não consegui controlar certos momentos. E depois, o facto de frequentar certos lugares e pensar "mas falta aqui alguém!", ficar apática e melancólica ao pensar em momentos, conversas, gestos... Ainda hoje me faz impressão não ter o meu avô aqui. Mas sei bem que ele está mais presente que nunca, e que olha por mim, por nós que somos a sua família. Diz-nos, com toda a certeza o melhor que haveremos de fazer em certas e determinadas questões, afinal, ele vê bem melhor que nós o que acontece aqui.

Antes desta perda eu era incapaz de escrever algo como escrevi. Só conseguimos falar quando passamos por lá, e é verdade...

No fundo eu sei que estás aqui, a sorrir só como tu sorrias para mim enquanto eu falava do que aprendia na escola, na faculdade... Não são precisas muitas descrições, o que fica por dizer será bem mais eterno e sincero.

Não é porque o céu está nublado que as estrelas desapareceram.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Okay? Okay.


Hoje fiz pausa no estudo e fui ao cinema com mais uma catrefada de miúdas que, tal como eu, andam com a cabeça na percepção, na biologia, na estatística ou na genética. E o filme? "A Culpa é das Estrelas". Livro muito famoso, agora adaptado para cinema, e que hoje chegou às salas de cinema do nosso Portugal. Descrições? Nem sei por onde começar. Tem uma carga emocional do primeiro ao último minuto. Não quero ser "spoilers" por isso vão todos ver o filme porque é uma grande lição de vida e de amor! 



domingo, 18 de maio de 2014

Na prática, a teoria é outra

É tudo muito bonito. Os passarinhos a cantar, o sol a brilhar mais que nunca, o corpo e a alma tão leves que quase voamos. Nos momentos de paixão tudo é muito lindo. Mesmo sem saber se somos correspondidos lutamos e não há nada que nos faça parar. Os amigos, aqueles mais chegados e que nos dão forças para não desistir, fazem o filme todo e ainda conseguem ir assistindo ao mesmo (se possível até vão comendo pipocas). Muitas vezes o filme está tão bem realizado, as expectativas de ganhar um Óscar são elevadas, e no fim de contas as críticas são mais que muitas e o filme perde todo o seu valor esperado. É como se o mundo ruísse. Para os realizadores e para os actores principais. Os passarinhos deixam de cantar, o sol brilha mas com pouca intensidade, o corpo torna-se pesado e a alma impossível de carregar. Desfaz-se um sonho. O sonho do amor. E depois perde-se a capacidade de confiar novamente. Ao invés, recebe-se em troca um sentimento de frieza que se apodera rapidamente por tudo quanto seja amor. 


Porque os homens não sabem o que querem. Nem os homens, nem as mulheres. Mas nós, mulheres, conseguimos ser um bocadinho menos infantis. Sabemos bem o que queremos, faça chuva ou sol; a fragilidade não nos chegou a este aspecto. Já vocês, homens, tanto querem uma coisa como deixam de querer. São capazes de despertar o amor numa mulher e, no dia seguinte duvidarem do que sentem, afastarem-se e voltarem uma semana depois, um mês, um ano, ou até nunca.


Graças a Deus não serem todos assim. 
Os homens afinal não são todos iguais. 
Pelo menos eu quero acreditar que na teoria não o sejam. 

sexta-feira, 16 de maio de 2014

A e B


Esta semana, numa daquelas teorias que de vez em quando se apoderam de mim, surgiu a seguinte frase: eu digo A, outra pessoa diz B; mesmo que seja A o mais acertado, ela vai sempre dizer B até ao fim. É uma realidade. Há pessoas de ideias fixas, sim, eu sei que há. Mas parte dessas pessoas dá o braço a torcer quando tem a noção que perdeu a razão por completo. A outra parte, continua a afirmar que tem a certeza das certezas e, por muito que seja penalizada por isso, não muda de ideias. Acho que isto é mais teimosia que outra coisa; uma teimosia daquelas mesmo de "arranhar os cortinados" (como fazem os gatos quando os donos não os tiram do minúsculo apartamento há mais de um ano). E sabem aquela vontade de pegar nos pés da pessoa, metê-la de cabeça para baixo, abaná-la e fazer com que vomite toda aquela razão infectada de teimosia? Tive esse estranho sentimento, também, esta semana. E digamos que não é o melhor. Mas pior que tudo é o sentimento de prepotência, se é que lhe posso dar-lhe esse nome, da outra pessoa. Porque eu posso dizer A e ser B, mas nunca vou negar B quando na realidade não é A.