II
A primeira vez que nos vimos foi no átrio da reitoria da Universidade, na cidade mais próxima de Heartland, onde ambos estudávamos. Francesco estudava Electromecânica e eu Letras e Literaturas Modernas. Até nisto éramos distintos. O facto da Universidade possuir todos os cursos no mesmo campus fez com que os caminhos entre mim e Francesco se cruzassem.
Eu, Louise, uma rapariga bastante dinâmica e sociável, mas que ao mesmo tempo não tinha a confiança total naquilo que sentia e que sabia. Talvez por isso as minhas notas fossem tão aquém das expectativas de toda a gente... menos da minha! Já teria andado num psicólogo mas não resultou, embora hoje em dia sempre que precisasse era apenas ao Dr. Phillip a quem recorria. Nunca tinha tido um namorado, apenas em criança, daqueles namoros que deveriam ser eternos e, por vezes, não duram nem um dia inteiro de escola.
Ele, Francesco. Poderia já ficar por aqui, só pelo nome. Na verdade o seu nome foi o que me atraiu momentaneamente. Alguém o chamou e, automaticamente, como se eu também tivesse o mesmo nome que ele, olhei.
Hoje relembro o momento e penso que estava predestinado. Os nossos olhos fixaram-se de uma maneira que é difícil descrever. Existiam mais de dez metros de distância entre nós mas a proximidade era tanta que parecia menos de um milímetro.
Dizem que os momentos em que estamos cegos por amor, isto é, aqueles primeiros minutos e aqueles primeiros dias, são os melhores. Hoje eu acredito vivamente nisso. Foram segundos de paixão, autêntica e sincera. Francesco era, sem dúvida, o príncipe perfeito que eu estudara na cadeira de Literatura Inglesa. Mas como nem todos os príncipes são verdadeiramente perfeitos, Francesco deixara-me a viver o conto de fadas sozinha meses depois...
(continua)
Madalena Rabaça






