quarta-feira, 4 de março de 2015

Nojo

Nojo é um homem que desperta o amor numa mulher sem ter a intenção de amá-la um minuto que seja.
É um homem que usa o corpo de uma mulher apenas para seu benefício.
Que a maltrata física e psicologicamente.

Nojo é existir sequer a hipótese de um homem querer uma mulher num dia e no outro já nem querer saber.
Nojo é a desconfiança abusiva.
É o controlo excessivo e descontrolado.

Nojo é estar com uma mulher para beneficiar de bens materiais e de estatuto social.
É escravizar.
Fazer com que uma mulher deixe de ter vida para além da vida que ambos possuem juntos.
Nojo é matar a mãe dos próprios filhos ou a mulher que escolheu ser na saúde e na doença, na alegria e na tristeza.


Alguém tem de mostrar a estas pessoas que a mulher é um ser igual a eles, que ambos foram gerados da mesma forma, e que nem um nem outro tem mais DIREITOS que o outro. Sei que ainda existem príncipes e reis encantados, mas também existem muitos que se dizem sê-lo e não passam de monstros. Monstros capazes de arruinar qualquer história encantada e torná-la num filme de terror. E podem ter tanto 18 como 70 anos. A maçã da bruxa má também não era venenosa e no entanto Branca de Neve, marcada pela sua ingenuidade, ficou envenenada.

O amor não tem como sinónimos adjectivos com sentido pejorativo.
Vamos fazer com que o nojo passe ser o aroma perfeito e valorize aquilo que nós, mulheres, somos realmente.


Madalena Rabaça

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Almas Nuas ao Luar

II

A primeira vez que nos vimos foi no átrio da reitoria da Universidade, na cidade mais próxima de Heartland, onde ambos estudávamos. Francesco estudava Electromecânica e eu Letras e Literaturas Modernas. Até nisto éramos distintos. O facto da Universidade possuir todos os cursos no mesmo campus fez com que os caminhos entre mim e Francesco se cruzassem.
Eu, Louise, uma rapariga bastante dinâmica e sociável, mas que ao mesmo tempo não tinha a confiança total naquilo que sentia e que sabia. Talvez por isso as minhas notas fossem tão aquém das expectativas de toda a gente... menos da minha! Já teria andado num psicólogo mas não resultou, embora hoje em dia sempre que precisasse era apenas ao Dr. Phillip a quem recorria. Nunca tinha tido um namorado, apenas em criança, daqueles namoros que deveriam ser eternos e, por vezes, não duram nem um dia inteiro de escola. 
Ele, Francesco. Poderia já ficar por aqui, só pelo nome. Na verdade o seu nome foi o que me atraiu momentaneamente. Alguém o chamou e, automaticamente, como se eu também tivesse o mesmo nome que ele, olhei. 
Hoje relembro o momento e penso que estava predestinado. Os nossos olhos fixaram-se de uma maneira que é difícil descrever. Existiam mais de dez metros de distância entre nós mas a proximidade era tanta que parecia menos de um milímetro. 
Dizem que os momentos em que estamos cegos por amor, isto é, aqueles primeiros minutos e aqueles primeiros dias, são os melhores. Hoje eu acredito vivamente nisso. Foram segundos de paixão, autêntica e sincera. Francesco era, sem dúvida, o príncipe perfeito que eu estudara na cadeira de Literatura Inglesa. Mas como nem todos os príncipes são verdadeiramente perfeitos, Francesco deixara-me a viver o conto de fadas sozinha meses depois...

(continua)
Madalena Rabaça



quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

O poder do sorriso matinal

Os meus bons dias em tempo de aulas são, quase sempre, a partir das 13h. São portanto uns bons dias preguiçosos e tardios, quase a romperem pela tarde adentro. Isto porque a maioria das minhas aulas são da parte da tarde, e de manhã o pessoal está todo fechado em casa (uns a dormir, outros a estudar). 
Hoje, quarta-feira, cheguei à faculdade (com um péssimo ar, quase que aposto, visto terem acontecido umas coisitas que felizmente já se resolveram mas que me deixaram em baixo) e mal chego ao pé do meu grupinho eis que alguém improvável chamada Jéssica me diz:
 "Eu invejo a capacidade de tu estares sempre a sorrir, todos os dias!"
E terminou a sorrir imenso, super entusiasmada e divertida. Gostei de a ver assim! Já eu fiquei sem palavras, sem reação, só consegui devolver um enorme sorriso (e apenas 20 segundos depois). 

São reconfortos destes que toda a gente deveria receber, dia sim dia sim. São apenas palavras, e às vezes apenas sorrisos... Mas que têm um enorme poder, o poder que o dinheiro, por exemplo, nunca irá suportar. Porque naquele momento eu até nem tinha muita vontade de sorrir, mas o facto de querer contagiar alguém com o meu sorriso é mais forte do que qualquer sentimento negativo que eu possa possuir. Não suporto o facto de alguém estar mal perto de mim, faço sempre os possíveis e os impossíveis para que isso não aconteça. Nem que tenha de superar-me a mim mesma e fazer com que uma lágrima seja trocada por um enorme sorriso.

Madalena Rabaça



quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Almas Nuas ao Luar

I

- Não percebo porque vieste... - disse, num tom rude e frio.
- Tu pediste, não te lembras?
- Mas para vires contrariado, preferia que não viesses! - a voz começava a querer elevar o som, o estado de irritação era evidente. Eu estava mesmo magoada com ele. Porque razão me teria feito aquilo?
Ficámos, ali, a olhar um para o outro durante horas sem pronunciarmos uma palavra que fosse. O olhar dele era distante, no entanto, mostrava um pouco de tristeza. De vez em quando eu tentava desviar o olhar mas, imediatamente, ele agarrava na minha mão e em jeito de "acorda, estou aqui" fazia com que voltasse a mergulhar no seu olhar.

Era Janeiro. O mês mais melancólico para mim. Odiava iniciar novos anos. O tempo não ajudava, ora chovia, ora nevava. Era assim o estado metereológico de Janeiro, em HeartLand. Mas eu não trocava nada por HeartLand. Era uma terra especial e fazia de mim uma pessoa mais especial ainda. Tal como ele. Francesco. O italiano mais giro e parvo de sempre. Verdade seja dita não conhecia mais nenhum... Ainda hoje não sei como me fui apaixonar por ele. Não tem nada a ver comigo, somos os opostos. Mas uma coisa é certa, se ele fora mesmo sincero comigo, eu tinha sido a única mulher a conseguir mudá-lo. Foi das primeiras coisas que ele me disse quando começou a sentir-se atraído por mim, muito antes do primeiro amo-te. Para mim valeu muito mais. Fizemos juras de amor, gritámos na encosta mais alta de HeartLand o nome de ambos, sonhámos casar, imaginámos as crianças que um dia haveríamos de conceber. Mas neste momento, Francesco tinha invertido o sentido às coisas.

(continua...)
Madalena Rabaça

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

As Cinquenta Sombras de Grey: o livro



Foi ontem. Ontem acabei o primeiro livro da saga "As Cinquenta Sombras de Grey"! Gostei bastante. Recalco o facto de ser um livro que deve ser lido por MULHERES e HOMENS. Não apenas por mulheres, como se vê diariamente. Os homens deveriam ler e perceber certas coisas que estão evidentes na história. Não, não estou a falar da parte erótica (também podem aprender, vá). Mas existe muito para além do erotismo escaldante que é descrito meticulosamente e que deixa qualquer pessoa com vontade de fugir para o paraíso (sem filhos, sem maridos, sem preocupações, apenas com o CHRISTIAN). O Christian e a sua personalidade meio querida, meio arrogante. Todo um conjunto de sentimentos e emoções que estão expressos neste enredo pesa também bastante na balança; é por isso que digo que será uma boa aprendizagem a leitura na íntegra, por parte de casais, solteiros, divorciados, ...
Resumindo, e como já perceberam, eu recomendo vivamente que leiam! Quanto ao filme, e não contem a ninguém mas, estou mortinha para ver.

Madalena Rabaça

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

Rigor defensivo?

Hoje, numa daquelas viagens de Metro em que só penso que acabe o mais depressa possível, surgiu uma conversa entre dois homens que me alertou desde logo. Não se conheciam, e a conversa fora iniciada devido ao resultado do jogo Sporting-Benfica, resultado este que os teria deixado descontentes. Depois de inserirem termos como "autocarro" (não sei o que é, nem sequer sabia que se podia aplicar ao futebol), eis que surge Ronaldo. Não, Ronaldo não surgiu no autocarro e muito menos no jogo em Alvalade. Ronaldo surge por não ter tido um bom desempenho no seu último jogo! Ora bem, todos nós temos dias menos bons... Era o que eu teria pensado. Mas um dos senhores afirmou, de forma bastante convicta, em alto e bom som "o Ronaldo não anda bem porque a cabeça lhe pesa demais, a outra pôs-lhe os palitos", e sem obter qualquer resposta de nenhuma parte continua exclamando "como é que ele pode andar bem, qualquer homem não ficava bem!".
Aplausos para este membro do sexo masculino. O senhor, português enraizado, de bigode bem característico, lá estava a defender a sua teoria emocional.
Gosto de ver homens que se preocupam com o que sentem após serem deixados. Gosto de ver que afinal, não somos só nós, mulheres, a sofrer. Eles também sofrem, e por muito pouco que possam demonstrar, chegam a sofrer mais que nós. Silenciosamente. Friamente até. De maneira a que não mostrem o quão fracos conseguem ser após o amor os derrubar.
Ronaldo não é excepção. Por detrás das bolas de ouro, dos milhões que ganha, e das excelentes capacidades que tem, está um homem que sofre por ter amado alguém que neste momento poderá já não amar.
O ser humano é fraco, muito fraco. Nem os mais fortes escapam.
Um dia a defesa pode não estar bem definida, e o rumo do jogo poderá mudar automaticamente.

Madalena Rabaça

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

O sexo feminino e o ciúme

Hoje assisti a uma situação deveras perturbadora para o meu sistema nervoso. Estou a exagerar, não fiquei passada nem nada, até achei engraçado; mas não deixa de ser caricato. Ia eu muito descansada no percurso do Metro para casa, e ao passar pelo jardim maravilhoso onde se situa uma das saídas do Metro, reparei que estavam várias pessoas a apanhar sol. A apanhar sol e a namorar. Dois namorados divertiam-se a olhar um para o outro enquanto faziam brincadeiras entre eles. A típica cena de Dia dos Namorados (irritante até dizer chega, mas com um pingo de fofura se por acaso não estivermos num dia mau). Eu pude reparar neles numa pequena fracção de segundos, sem que desse muito nas vistas, mas o pobre membro do sexo masculino reparou e bem em mim. É então que entra em acção a felina com as suas garras afiadas e a força de animal feroz, e puxa a cara do seu amado para que este volte as suas atenções de novo apenas e só para ela! Mulheres com M grande, assim é que é. Senti-me um bocado culpada, a minha intenção não era, de todo, o afastamento de olhares da leoa para mim. Juro.

Mas gosto de ver que ainda existem mulheres que sabem marcar bem o seu lugar... e claro, o lugar dos seus mais que tudo! Vincar a ideia de o meu é meu, e o teu é teu, nunca fez mal a ninguém. Sem exageros, como é óbvio...

Madalena Rabaça