III
Quando entrei para a faculdade a minha prima Íris teve um breve diálogo comigo, poucos dias antes do grande início de aulas, sobre o facto de as amizades naquele meio serem poucas ou até mesmo nenhumas. Fiquei bastante assustada, já a ouvira tempos antes a contar histórias que lhe aconteceram, no entanto sempre achei que fossem coisas da sua cabeça visto ser uma pessoa muito exagerada. Quando conheci melhor Francesco e começámos a sair, a combinar cafés, e até mesmo a estudar juntos, também o apresentei ao meu grupinho lá da faculdade. O que eu denominava de amigos. Mas apenas dois ou três o eram verdadeiramente. Um dia, muito antes de a minha relação com Francesco terminar de vez e para sempre, aconteceu a primeira situação que me levou a querer largar tudo e fugir para outro lugar. Francesco teria combinado ir ter comigo após a minha aula das 10h, numa sexta-feira, e seguidamente rumaríamos a Heartland para passarmos o primeiro fim-de-semana juntos inclusive ele ir jantar a minha casa e conhecer os meus pais. Só já pensava em sair daquela aula e ir ter com o meu príncipe. Ainda por cima aquela disciplina não era obrigatória e, apesar de eu gostar bastante, só tinha vontade de ir embora. A aula terminou e a professora Janice, com o seu sorriso sempre maternal não ordenou que tivéssemos de ler o restante capítulo que não acabáramos na aula, e eu quase pulei de alegria enquanto arrumava as coisas para sair em direção à entrada principal da Universidade. Qual não é o meu espanto quando chego e me deparo com Francesco aos beijos com Marylin. Paralisei enquanto as lágrimas me caíam inesperadamente. Não estava à espera. Marylin era do 2º ano do meu curso, mas tinha alguma aulas comigo porque havia chumbado e, fazia parte do meu grupo. Era uma pessoa arrogante e convencida, as mini saias que levava todos os dias faziam com que já se tivesse envolvido com quase toda aquela Universidade. No entanto, não tinha grandes amizades e eu inseri-a no nosso núcleo. Hoje recordo esta situação com algum desprezo visto não me dar mais com ela e ter terminado tudo com Francesco, mas sempre que penso dá-me vontade de olhar para ela, fazer com que se sinta mal por magoar tanta gente, e fazer com que as lágrimas falem pelo seu arrependimento...
(continua...)
Madalena Rabaça






