sexta-feira, 15 de maio de 2015

Porque quando eu digo mata, ela diz esfola

Título curioso, não é? E é real. Tenho uma amiga que tem a vantagem de alinhar nas minhas coisas. No entanto, quando eu apenas tento ser o menos severa possível, vem ela atrás e grita comigo para ser o pior que conseguir. "Coragem!". Será sempre a palavra mais pronunciada entre as duas. Tudo por causa da mania de vermos a Casa dos Segredos e sabermos bem mais que os próprios comentadores do reality show em questão. E o mal que a nossas mães diziam de sermos telespectadoras assíduas daquela "bandalheira"? Passado uma meia dúzia de meses lá nos passou a dita pancada. Ainda bem!
E a maneira como nos conhecemos? Faculdade. Loucos anos 20. Estaria tudo dito, mas connosco há e sempre haverá mais por dizer. Sim... Somos túmulos secretos carregados de segredos uma da outra. Se algum dia, por lapso ou por vingança (credo, nunca na vida), os vários túmulos se destapam teremos o caldo bem entornado!
Está sempre lá o raio da miúda. Lá. Sim, lá. Quando mais preciso. Quando não são horas de lhe ligar e mesmo assim ela me atende. Quando eu faço a pior m*rda, a mais horrível. Quando eu choro. No entanto está sempre lá quando eu me quero rir, mas rir a sério, tipo quando se tem dores nos abdominais. Por falar em abdominais, a mãe dela já me pediu que a levasse comigo para o ginásio mas ela afirma que o sofá será sempre mais importante que qualquer aula de Zumba ou elíptica seguida de passadeira. .
Já nos zangámos.Somos tão princesas que até zangadas temos estilo. Já estivemos dias sem nos falar. Sim, dias. Acham que conseguiríamos estar mais de 48h sem trocarmos alguma palavra? Esta pergunta era retórica mas eu respondo: nunca.
O meu sonho é casar e ter filhos. E o dela? Também, mas não o demonstra tanto como eu. Saímos as duas de uma daquelas histórias de encantar em que príncipes ainda lutam por princesas, mas nem sempre somos as escolhidas; nós percebemos, os príncipes também se enganam, mas na história, tal como nem sempre somos as eleitas, nem sempre dá para retroceder como se faz no Word e corrigir os erros. Bem, mas isso serão sempre outros pormenores que vamos resolvendo diariamente, em conferência, como se de uma reunião geral de administradores da TAP se tratasse.
No futuro seremos Psicólogas. É estranho dizer isto e ainda é mais estranho pensar. Seremos sempre aquelas que comunicam por hashtag, que falam 4h ao telefone, que riem de apresentações orais, que gastam mais dinheiro em comida do que em roupa e acessórios (depende do estado de espírito, digamos que poderá ser metade/metade), que adoram uma boa revista cor-de-rosa, que escolhem a carruagem do metro para poderem ir juntas no mesmo, que dormem em casa uma da outra sem que isso implique dormir, que viajam nem que seja do Campo Grande ao Saldanha, que choram em filmes românticos, que comem paté de frango, que conspiram a favor/contra alguém, que têm altos discursos filosóficos, aquelas que perguntam "Vamos beber café? A Londres?"... Aquelas que, no fundo, se apoiam e muito.
Teria tanto mais para dizer, mas a descrição também sempre foi algo por que optámos.
Já a minha avó dizia, há umas semanas atrás, "arranjaste uma grande amiga".
E arranjei. Obrigada.



sábado, 18 de abril de 2015

Tu e ele

Tu e ele são tão diferentes. O oposto. Se vos colocasse numa balança, a balança iria ficar descoordenada por completo, sem saber qual dos dois pesaria mais. Para ela, tu pesas mais. Para ela tu és o sonho mas também a realidade. Não vive sem ti. Chora quando não a atendes. Ri quando, entre dentes, lhe contas uma piada. Sofre sempre que lhe respondes de maneira sêca e fria, mostrando o pouco interesse que possuis nela.

Ao contrário de ti, ele apenas anseia que ela lhe sorria. Que um dia vão passear pelo jardim e ver os patinhos no lago, criando aquele ambiente in love que tanto vemos nos filmes sobre primeiros amores. Ele é o eterno apaixonado por ela, desde os primeiros anos de escola, em que brincavam ao esconde-esconde e ele não se importava nada de ir procurá-la. É isso, ele procura-a. E o irónico é que ele está sempre lá quando tu não estás. Mas ela gosta de ti e não dele. Ela vive de amores por quem nem sequer palpita 3 segundos pela sua existência. Ele gosta dela de verdade mas ela não vê... ou não quer ver.
Ela só te vê a ti. Tu nem a vês. Ele deseja vê-la todos os dias na sua vida.

Tu és ladrão de vários corações. Ele é prisioneiro de um só coração. 

Madalena Rabaça

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Gang das Selvagens

Ou para ser mais concreta e precisa: O GANG DAS SOLTEIRAS!
Em todos os grupos existe este gang que embora faça magia onde quer que vá, não consegue deixar o rótulo nem por nada. Desfilam como top models em todos os corredores, sejam da escola ou do supermercado. Não precisam de maquilhagem para terem aquele brilhozinho nos olhos, qualquer trapo lhes fica bem independentemente da situação. Os homens suspiram e as mulheres piram! A ameaça está à vista... mas elas são selvagens apenas de nome! Vivem solteiras e recomendam-se assim por muito mais tempo, embora quase todas passem a vida a sonhar acordadas com o tal ou até mesmo com o príncipe encantado.
Podem ser corações moles. Duronas, mas que não deixam de chorar num filme baseado numa história do Nicholas Sparks. Crianças autênticas que se riem de tudo. Ingénuas ao ponto de praticarem o mesmo erro ou caírem na mesma armadilha 30 vezes. Podem ser choronas, que até em documentários científicos choram baba e ranho e pedem Kleenex. Vaidosas e acharem que durante o Inverno rigoroso podem usar roupa de Verão. Eternamente apaixonadas pela vida que só querem é conhecer outros locais e outras tradições. Marias rapaz fazendo do seu melhor amigo o seu namorado. Inteligentes mas que cometem as maiores burrices com o sexo oposto. As "vida louca" que só pensam quem irão conhecer naquele bar ou naquela discoteca. Assertivas quando no minuto seguinte podem cometer as maiores atrocidades amorosas. As românticas incuráveis que só pensam em como vai começar o Era uma vez... e como vai acabar o E ficaram felizes para sempre!. Realistas mas incompletas com aquilo que a vida não lhes oferece. As determinadas que dizem a célebre frase "nunca mais me vou apaixonar" e acabam apaixonadas pelo primeiro tontinho, assim que saem de casa. Espirituais e cheias de fé que acham que o seu amor está naquele dia de sol, à porta da faculdade, porque as cartas ou os orishás o disseram, Certinhas até ao momento em que o maior gato lhes pede boleia e lhes manda parar no meio do nada para as amar como nunca ninguém as amou. Sempre reservadas e sombrias, mas que no fundo vivem remorsos de não conseguirem exteriorizar a paixão por A ou B. As azaradas, tanto no jogo como no amor.
As criativas, que mesmo quando o mundo lhes fecha portas estas inventam maneiras para poderem abrir janelas até nos sítios mais improváveis e mais impossíveis.

O gang das solteiras, ou melhor, selvagens como gostamos de ser chamadas, está sempre onde menos se espera. Cada uma à sua maneira, nesta selva de desencontros.


Madalena Rabaça

sábado, 28 de março de 2015

Quero? Não quero?

As pessoas não sabem o que querem. E infelizmente ao não saberem, magoam quem tão bem o sabe. Quem ama. Quem respeita. Quem protege. Quem deixava tudo por alguém. O amor pode deixar-nos aluados mas não é desculpa para nos deixar sem certezas.
Gosto de ti hoje, mas espera, acho que amanhã já não vou gostar. 
O amor precisa de gente decidida. Decidida a mudar, a lutar, a desejar e fazer desejar, a suportar, a esperar, a amar muito. O amor precisa de juras eternas à luz da Lua, de passeios matinais à beira-mar, de lanches cheios de chocolate e gelado, de escaladas na maior montanha e de beijos no pico mais alto de sempre. O amor não se interessa por cores ou por estilos, por tipos de música ou desportos favoritos. O amor é o querer. Querer sempre mais na companhia de quem gostamos. Seja um cinema ao ar livre ou um piquenique no meio da sala de estar. Não há impedimentos. Se os houver é porque não é amor.

Queres?
Madalena Rabaça


quinta-feira, 26 de março de 2015

Tag 7 Coisas e Tag Amo/odeio

Hoje trago um post diferente! Fui nomeada pela Jessie Bessie (Jéssica Rolho), grande protagonista do blog fantástico "O Diário da Jessie Bessie"para a Tag que se segue. No final, vou nomear 10 blogs a fazerem o mesmo e, quem for nomeado não poderá esquecer-se de colocar as imagens da Tag e as pessoas/blogs que os nomearam. 



7 coisas a fazer antes de morrer

- Fazer voluntariado em África 
- Escrever um livro
- Visitar a Austrália
- Casar
- Ter filhos
- Fazer um cruzeiro
- Comprar uma casa à beira-mar

7 coisas que mais digo
- Oh, adoro!
- Coragem!
- Ai é?
- Não sei...
- Pronto, tu é que sabes!
- Que nervos!
- A sério?

7 coisas que faço bem
- Petit Gateux de Chocolate
- Ouvir as pessoas
- Expressar-me
- Escrever
- Strogonoff 
- Pintar as unhas
- Aconselhar

7 coisas que não faço bem
- Correr
- Equações difíceis
- Esquecer alguém importante
- Rir alto
- Deitar-me tarde
- Irritar-me facilmente
- Sujar tudo quando cozinho

7 coisas que me encantam
- O amor sincero
- A manifestação do mesmo amor sincero
- Bebés
- Paisagens bonitas 
- Chegar a casa (Alentejo)
- Comer chocolate
- Ler um bom livro

10 coisas que amo
- Cor-de-rosa
- Os meus pais e a minha irmã
- Os meus avós
- Chocolate quente
- Gomas
- Estar com os amigos
- Rir bastante
- Fazer teatro
- Reencontrar amigos
- Encontrar aqueles sapatos perfeitos

10 coisas que odeio
- Fazer malas
- Queijo mal-cheiroso
- Viagens de carro
- Cerveja
- Aspirar
- Cheiro a vinagre
- Pessoas arrogantes, parvas, e invejosas
- Livros que me deixam desinteressada
- Quem não sabe o que quer
- Estar longe e ter saudades

Indico/Desafio:
Todos Sabem E Ninguém Diz, da amiga HEsteves
Madalena Rabaça

segunda-feira, 23 de março de 2015

Tenho uma amiga que se apaixonou de verdade

Não, não é uma cena de filme. Muito menos um excerto daqueles livros de adolescentes que falavam sobre dramas amorosos e histórias tontas entre a puberdade e o início da idade adulta. Eu tenho mesmo uma amiga que se apaixonou de verdade. E sabem? É grave. Muito grave. Passo a explicar... A minha amiga com síndrome de "apaixonadisse" começou a ter uns ataques de fúria estranhos e seguidamente passou para um estado de pura apatia, assim do dia para a noite. Após a apatia total perante tudo o que a rodeava, voltou ao mundo em que sonhar acordado é proibido e reclamar faz parte do dia-a-dia. Não foi há muito tempo que voltou... Mas voltou, e ainda por cima, mais apaixonada que nunca! Eu própria nunca a tinha visto tão melosa, tão cor-de-rosa (assim tipo eu, sabem?). Dou com ela a pedir-me "abracinhos fofinhos". Na verdade ela nunca gostou dessas coisas, o agarrar, o dar beijinhos, essas coisas pindéricas e pirosas. Alguém percebe agora o estado grave da situação? O problema, ou diria eu, o grande desafio, é que esta paixão é banhada pelo mar da incerteza e sobrevoada pelo passáro gigante do medo. Eu, madrinha de todos os contos de fadas e futura dama de honor de todos os casamentos das minhas amigas, acredito que o desafio é apenas um desafio, e mais cedo ou mais tarde vai ser alcançado. Como diria a própria, e mais uma vez isto não é nada dela, "perlimpimpim". O resto virá. Mas a sério, ela está mesmo apaixonada. E é grave. Mas é tão saudável e faz tão bem...

Madalena Rabaça





terça-feira, 17 de março de 2015

Almas Nuas ao Luar

III

Quando entrei para a faculdade a minha prima Íris teve um breve diálogo comigo, poucos dias antes do grande início de aulas, sobre o facto de as amizades naquele meio serem poucas ou até mesmo nenhumas. Fiquei bastante assustada, já a ouvira tempos antes a contar histórias que lhe aconteceram, no entanto sempre achei que fossem coisas da sua cabeça visto ser uma pessoa muito exagerada. Quando conheci melhor Francesco e começámos a sair, a combinar cafés, e até mesmo a estudar juntos, também o apresentei ao meu grupinho lá da faculdade. O que eu denominava de amigos. Mas apenas dois ou três o eram verdadeiramente. Um dia, muito antes de a minha relação com Francesco terminar de vez e para sempre, aconteceu a primeira situação que me levou a querer largar tudo e fugir para outro lugar. Francesco teria combinado ir ter comigo após a minha aula das 10h, numa sexta-feira, e seguidamente rumaríamos a Heartland para passarmos o primeiro fim-de-semana juntos inclusive ele ir jantar a minha casa e conhecer os meus pais. Só já pensava em sair daquela aula e ir ter com o meu príncipe. Ainda por cima aquela disciplina não era obrigatória e, apesar de eu gostar bastante, só tinha vontade de ir embora. A aula terminou e a professora Janice, com o seu sorriso sempre maternal não ordenou que tivéssemos de ler o restante capítulo que não acabáramos na aula, e eu quase pulei de alegria enquanto arrumava as coisas para sair em direção à entrada principal da Universidade. Qual não é o meu espanto quando chego e me deparo com Francesco aos beijos com Marylin. Paralisei enquanto as lágrimas me caíam inesperadamente. Não estava à espera. Marylin era do 2º ano do meu curso, mas tinha alguma aulas comigo porque havia chumbado e, fazia parte do meu grupo. Era uma pessoa arrogante e convencida, as mini saias que levava todos os dias faziam com que já se tivesse envolvido com quase toda aquela Universidade. No entanto, não tinha grandes amizades e eu inseri-a no nosso núcleo. Hoje recordo esta situação com algum desprezo visto não me dar mais com ela e ter terminado tudo com Francesco, mas sempre que penso dá-me vontade de olhar para ela, fazer com que se sinta mal por magoar tanta gente, e fazer com que as lágrimas falem pelo seu arrependimento...

(continua...)
Madalena Rabaça